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Melhor escola privada de Alagoas ainda é a pior de Nordeste

  • Foto do escritor: Andira Monteiro
    Andira Monteiro
  • 28 de mai. de 2024
  • 4 min de leitura

*Matéria produzida no curso de jornalismo


Diferente de grande parte das instituições públicas de ensino no estado, o Colégio Santa Úrsula, localizado em bairro nobre da capital alagoana, se destaca por não abrir mão dos primeiros lugares nos rankings do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segundo os dados do Inep entre os anos 2014 e 2017.

 

 Mas, nem os melhores resultados impediram o colégio de acompanhar os índices educacionais de Alagoas, considerados um dos piores do país. No último levantamento, realizado em 2015, as escolas de ensino da rede privada do estado apresentaram notas bem abaixo da média dos melhores colégios do Nordeste.

 

Dos nove colégios privados analisados em toda a região, Alagoas ficou em último lugar com nota 613,14, atrás também de outras 713 instituições em todo o Brasil. À frente do ranking, o Colégio privado Farias Brito de Aplicação em Fortaleza conquistou o primeiro lugar com nota 739,9, seguido por instituições do Piauí, Bahia e Pernambuco.


Além de permanecer no topo do ranking durante várias edições do Enem, o modelo educacional cearense é utilizado em 12 estados, e o segredo, afirma o Secretário de Educação da região, Idilvan Alencar, em entrevista ao portal Uol, é a aplicação de um material didático exclusivo.

 

“A partir de 2008, o estado investiu na produção de materiais próprios, com marcadores que definem assuntos específicos a serem estudados para cada mês do ano”, disse na entrevista. O secretário ainda destaca a capacitação de professores, premiações de estudantes e escolas por desempenho, e o incentivo à bolsas de estudo como uns dos fatores.


ALAGOAS


Apesar dos estabelecimentos de ensino privado constituírem as melhores notas do estado, a explicação para o baixo desempenho educacional em comparação ao resto do Nordeste está relacionada a um conjunto de fatores. Entre eles, o índice de analfabetismo, que transformou Alagoas no estado com o maior número de iletrados do país, como aponta a última pesquisa em 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


A intensificação das políticas públicas voltadas à educação em 2003 não foram suficientes para minimizar o número de 18,2% de analfabetos em Alagoas, o que representa 474 mil pessoas que não sabem ler nem escrever. O pouco investimento na área também influencia nos péssimos resultados, mesmo que os recursos sejam destinados à rede pública. Estados mais ricos conseguem atingir o dobro do custo do aluno em Alagoas, que não ultrapassa o valor mínimo estabelecido nacionalmente.


Nas escolas privadas, a professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Sandra Lira, confirma que essas instituições estão incluídas no mesmo cenário social e cultural que as públicas. “Ainda que lidem com um público com maior poder aquisitivo, isto não significa que deixam de enfrentar as questões do nível de letramento e autonomia intelectual da sociedade como um todo”, afirma.


A professora também explica que a rede privada de ensino funciona na lógica da competição, provocando uma disputa desigual com as escolas públicas. “A escola privada lida com um nicho que não vai para estabelecimentos de ensino públicos, por entender que esta não lhe oferece qualidade para disputar os melhores espaços. Os públicos são diferentes e não tem as mesmas oportunidades. Por isso, quando há uma melhora no ensino público, percebe-se uma preocupação maior das escolas privadas, que agem dentro da lógica do mercado, diminuindo a desigualdade”, expressa.


Dentro do colégio em primeiro lugar no ranking das escolas privadas do estado, o Santa Úrsula, o formato de ensino é baseado em um método nacional de educação, aplicado em grandes colégios da região Sudeste. Com 6 provas simulando o ENEM aplicados durante todo o ano, a instituição pensa no seu currículo como algo voltado para o rendimento do aluno nos vestibulares.


A coordenadora dos ensino médios da escola, Célia Batista, acredita que o sucesso dos alunos nas provas se dá pelo desenvolvimento do currículo escolar visto como um processo. “Nós realizamos os simulados de três em três meses, buscando preparar o aluno. Outro fator é a interdisciplinaridade aplicada nas aulas e o plano de estudo que construímos foca em levar para o estudante uma forma de entender as disciplinas em conjunto”, explica.


Quando questionada sobre os baixos níveis educacionais em Alagoas, a coordenadora defende que a instituição está atenta à situação. “Hoje observamos esses dados e o panorama nacional do resultado do SAS - material de estudo utilizado pelo colégio que avalia a posição da instituição em um ranking específico-. Como percebemos os índices ruins do estado, buscamos realizar um trabalho de excelência, que leve aos melhores resultados. O nosso objetivo, também, é que o aluno saiam daqui para melhores os índices também da área que escolheram”, esclarece.


Os indicadores educacionais do estado estão entre os piores do país. E por décadas tem sido assim. Estar entre os estados do Nordeste com as menores pontuações no ENEM, que além de classificar em um ranking as escolas privadas e públicas também é determinante para os alunos que prestam alguns dos vestibulares locais e nacionais, é um retrato de um conjunto de fatores econômicos e sociais.


 
 
 

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