Lipo Lad: a linha tênue entre estética e distorção de imagem
- Andira Monteiro
- 28 de mai. de 2024
- 2 min de leitura
*Para Revista Due (@revistadue) como Ghost-writer
Vírginia Fonseca. Vih Tube. Flayslane. Giovanna Chaves. Mirela Janis. Gabriela Versiani. É impossível acompanhar de perto as redes sociais e não se deparar com um desses nomes. Tratam-se de mulheres que ganham a vida como influenciadoras digitais, e que conquistaram marcas de milhões de seguidores em seus perfis do instagram. Além disso, todas também têm outro ponto em comum: se submeteram a cirurgia Lipo Lad, procedimento estético que promete uma barriga seca com direito a gominhos de músculos e todo o pacote.
Não é segredo que o Brasil estampa os primeiros lugares do ranking mundial de cirurgias plásticas, e a LAD não fica de fora: de acordo com uma matéria da categoria “Beleza” do portal Uol publicada no mês de novembro desse ano, o nosso país já ultrapassou os Estados Unidos no número de procedimentos da cirurgia abdominal. Um dado até assustador se considerarmos que a febre da lipoaspiração avançada começou a se disseminar em meados de 2019 até hoje.
E não, não é a mesma coisa que a velha lipoaspiração. Digamos que a LAD traz um certo “upgrade” de alta definição do que, hoje, é considerada a barriga dos sonhos por muitas mulheres. O procedimento também retira as camadas de gordura, mas ainda modela os músculos da barriga com a intenção de “esculpir” o abdômen.
Pra quem acompanha de perto alguma das influenciadoras que se submeteram à cirurgia, percebe como o discurso pós-procedimento parece deixar tudo mais fácil. Afinal, é uma cirurgia que traz o resultado que talvez você teria com mais de um ano de academia e reeducação alimentar. Tudo simples demais. Mas com alguma pesquisa e consciência sobre o discurso de distorção de imagem e padrões estéticos, a coisa fica bem mais complicada, ainda mais quando percebemos que algumas dessas mulheres não tem mais de 20 anos de idade;
O preço salgado, que pode variar até R$50 mil, não é a parte mais complexa do processo. Primeiramente, os riscos são como os de qualquer outra cirurgia, com a possibilidade mais temida de ocorrer trombose, apesar de ser uma condição rara, explicam médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Isso, sem contar ainda com o pós-operatório, que inclui ingestão de anti-inflamatórios e anti-coagulantes, drenagens frequentes, e cinta modeladora com várias restrições. Ufa! Muita coisa que não te contam, né?
E aí é que entra a polêmica que despertou a internet sobre o contexto da LAD: estariam as influenciadoras romantizando a cirurgia? Infelizmente, a resposta é sim, se seguirmos todo o discurso lá em cima sobre imposição estética. Mas calma, essas mulheres são tão vítimas quanto todas nós. A diferença é que elas têm poder aquisitivo e oportunidades para realizar o procedimento.
Mesmo assim, não podemos negar o fato de que os relatos das influenciadoras que se submeteram a LAD trazem uma sensação de facilidade que pode ser comparada a intervenções estéticas bem mais simples, como aplicação de toxina botulínica (botox), por exemplo. E porquê isso pode ser tão perigoso? Com o tempo, esses comentários levam cirurgias invasivas com possibilidades de riscos em um patamar de solução rápida. A sensação é de que a LAD facilita a nossa vida quando nos poupa de meses difíceis pagando academia com dietas restritivas que você sempre para pra pensar duas vezes se vai conseguir obedecer.
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