A "Momo" voltou e especialistas orientam como falar do assunto com as criança
- Andira Monteiro
- 28 de mai. de 2024
- 4 min de leitura
A corrente viralizou nas últimas semanas e causou pânico entre grupos de pais e escolas; Polêmica reacendeu o debate do uso inadequado das redes
*Matéria produzida para o portal www.gazetaweb.com.br
Olhos esbugalhados, pele pálida, cabelos longos pretos e um sorriso sinistro. É assim que a boneca intitulada como “Momo”, vem circulando na internet e causando pânico entre os pais de crianças e adolescentes.
Após o polêmico jogo da “Baleia Azul” em 2016, que incetivava o suicídio de jovens por meio de uma série de desafios, o “Momo challenge” ganhou repercussão novamente por aparecer em vídeos infantis e incitar a auto-mutilação de crianças. A corrente, reacendeu o debate do perigo da exposição de certos conteúdos veiculados nas redes, da incerteza dos pais de como agir, e a cobrança às plataformas digitais.
QUEM É MOMO?
Segundo relatos ao redor do mundo, os jogos envolvendo a imagem da boneca viralizaram pela primeira vez no ano passado em um número de telefone no WhatsApp. Apesar de ter sido tratado como uma brincadeira de mau-gosto por muitos internautas, alguns contam que, ao entrar em contato com esse número, a boneca enviava mensagens perturbadoras, com dados pessoas, e até ameaças.
Depois de sumir por alguns meses, alguns usuários confirmaram o reaparecimento da boneca no YoutubeKids, uma alternativa da plataforma com conteúdos exclusivamente infantis. Nos relatos, a imagem da Momo incitando ao suicídio surgiu em vídeos de crianças fazendo slime, ou de desenhos famosos como o “Baby Shark”.
Em poucos dias, a polêmica inundou grupos de pais e escolas no WhatsApp, que entraram em pânico com a possibilidade dos filhos cumprirem o “desafio” da boneca de machucar os pulsos com objetos cortantes. Recentemente, o Youtube se posicionou sobre o caso, afirmando que esse tipo de conteúdo não teria como ser veiculado por violar as diretrizes da plataforma. Boato ou não, a história mostrou a importância de dialogar sobre assuntos como suicídio e os limites da internet.
LIMITAR E CONVERSAR
“No grupo da escola dos meus filhos, vários familiares aterrorizados com o que as crianças chamavam de bruxa. Depois, elas ficaram sabendo que todas já tinham assistido ao vídeo da Momo, e tentaram tomar medidas radicais como cortar totalmente o acesso à internet”. O relato da dentista de 35 anos, Carol Mendes, ilustra o desespero e o despreparo de muitos pais diante das ameaças virtuais.
Mãe de Gabriela de 8 anos, e Henrique, 4, a dentista conta que preferiu conversar abertamente em casa sobre a boneca, e ressalta que existem outras diversas formas de prevenção.
“Sempre falo com eles sobre as questões da internet, e, por consequência, ambos acabam me mostrando tudo o que acessam. Para mim, o importante é acompanhar e saciar a curiosidade da criança com cuidado. A internet está aí, e cabe a nós procurar ferramentas de monitoramento para os sites e supervisionar”.
Neuropedagoga e especialista em saúde mental, a psicóloga Wilzacler Rosa, concorda que o diálogo é o primeiro passo para tentar combater os conteúdos impróprios. “O recomendado é conversar e questionar com calma, mas sem julgar ou punir aquela criança. Os pais devem procurar saber o que ela entendeu, acessou, o que a Momo pediu pra fazer, e os riscos, como dizer a ela que não vai mais poder ver o papai ou a mamãe se obedecer a boneca. É essencial trazer essa problemática de forma responsável, e não sensacionalista e fenomenal.
Liércio Pinheiro, psicólogo especialista na área educacional, explica que, quanto mais nova a criança, pior a capacidade de lidar com as situações da internet. Entre a fase dos 3 a 6 anos de idade, a estrutura da personalidade ainda está em formação. Por isso, a falta de comunicação pode acarretar em sérias consequências.
“Sem uma conversa adequada, a criança vai encarar como brincadeira. O pensamento geral é de que o pequeno vai ter medo da boneca, mas na realidade, ele terá curiosidade. Ele pode seguir as instruções da Momo enxergando tudo como algo engraçado, e assim, ser conduzida a comportamentos auto-agressivos”, explica o psicólogo.
Em relação à exposição aos inúmeros conteúdos impróprios das redes, Wilzacler orienta que privar não é o melhor caminho. “A solução está em garantir o monitoramento dos sites de risco e não restringir o uso total da internet. Além de observar os aplicativos acessados, hoje existem várias ferramentas específicas voltadas para essa supervisão, que registram tudo o que o filho faz no ambiente virtual”, complementa.
A ESCOLA
Para os especialistas, a dinâmica do diálogo não se limita até a porta de casa. O psicólogo Liércio ressalta que a escola também tem um papel fundamental em guiar a criança ou o adolescente para o consumo de conteúdos saudáveis.
“A função do educador é estar a par de quais são esses assuntos e como ela os acessa. Os professores devem abordar as histórias, mostrando ao mesmo tempo o que é ou não nocivo. É importante mostrar, principalmente, quais caminhos não devem ser seguidos, e os pais devem cobrar isso das escolas.”, orienta.
Ele ainda complementa que o tema não pode ser tratado como um tabu no ambiente escolar. “Educação nada mais é do que a possibilidade de levar um assunto que está no seu cotidiano. Ele precisa ser desmistificado e trabalhado junto com os pais. Não é simplesmente levar a boneca e discutir o que é, mas mostrar o que, nessa história, está certo ou errado”.
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